sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

Afinal, 2010

Descobri que gosto de palavras acabadas em "ões".
Por isso que este ano seja o ano das realizações, emoções e mail mil palavras boas a rimar com limões.

Do Presente para o Futuro, tudo para que seja Mais-Que-Perfeito.
2010...quero acreditar que vai ser O Ano.

Felicidades*

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

A letra D

Enquanto me debatia com os nós que trago na mente, no coração e na alma, apercebi-me que as palavras que mais temo começam por "D".

Decidir/Decisão: é algo que me assusta, porque significa mudança furtiva e que por vezes pode não ser a mais acertada.

Defeito: a imperfeição em mim patente e que me estão constantemente a deitar à cara.
Defesa: por sentir falta dela.
Defrontar: porque por vezes não consigo.
Deixar: porque já senti vezes demais na pele.
Depois: o "mais tarde" assusta-me.
Deprimir: detesto e acontece tantas vezes, por tudo e por nada.
Derradeiro: porque se aproxima o final.
Desabafo: implica falar demais sem nunca dizer o que realmente se sente.
Desabituar: custa muito.
Desamor/Desapego: indiferença total.
Desaparecer/Despedida: vou sentir saudades.
Desconfiança/Duvidar: não suporto e magoa-me.
Desculpa: não consigo dizê-lo.
Deserto: solidão
Desprezo: está óbvia
Desvalorizar: é triste.
Discutir: porque vou dizer as piores coisas do mundo.
Disfarçar: detesto "esconder" seja o que for.
Distância: mói-me o espírito e a vontade indomável de alcançar.
Doença

No entanto, existe aquele rol de palavras que me afectam, que tenho medo de pronunciar e principalmente medo de sentir na pele mais umas contas vezes.
[Desgosto.Desilusão.Desistência.Dissabor.Dor]

sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

" O apego é o preço do afecto, já o disse tantas vezes, repeti-lo nunca me soa redundante. Há momentos em que todos sonhamos com uma outra espécie de amor, livre e leve, mas todos sabemos que não são essas as premissas do verdadeiro amor. Somos todos prisioneiros de um sonho ou de uma realidade, no fundo, nunca somos livres.

É provável que tenha germinado aí a minha propensão apocalíptica para amores impossíveis. Cada vez que me apaixonava era por um rapaz que vivia noutro país ou que não gostava o suficiente de mim para me fazer feliz, ou ambas as coisas. Tornou-se essa a minha trágica expertie, ludibriar a viabilidade do amor, transformando-o intangível na realidade, reduzindo-o ao seu poder inspirador para sonhos e escritos, que são afinal a mesma coisa."
MRP

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Precisa-se...

... sei que me apetecem coisas bonitas para curar esta tristeza que me assola sem rei nem roque, só com bilhete de vinda. Apetece-me alegria e cor, para mudar o que tem sido isto. Pois sinto-me doente, fragilizada, inconsciente do tempo e dos momentos. Preciso de mais um motivo de "vida", que os que tenho já não me chegam. Coisas bonitas, que por mais simples que sejam, tocam bem lá dentro e nos façam sentir diferentes e cheios de nós próprios, cheios de vida. Felizes.

Preciso que me preencham. Sou vil e vã, oca e sem sentido.
Sou eu, mas já não me chega.
Um motivo, uma coisa bonita precisa-se.

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Metas


São conversas que por vezes temos que me fazem pensar qual será mesmo o meu papel aqui, na vida. Vida? O que é vida? Nascer, crescer, estudar, gozar, namorar, fazer amizades, formar-se, empregar-se com uma cunha (ou não), casar, endividar-se para construir um lar, pagar juros, reformar-se, pagar mais juros e afins, ver os netos crescer, ver amigos partirem e morrer. É isto mais ou menos? Certo?
Pois... mas não é isto que quero para mim.
Eu quero viver ao sabor do vento, cumprir todas as metas que estabeleça para mim, conhecer o mundo, conhecer o desconhecido, conhecer-te a ti que ainda não apareceste, ser feliz acima de tudo, quero ter aquele trabalho que adorarei fazer, sorrir todos os dias com todos os meus muitos dentes, ter mil e um cachorros e um jardim em casa, ver o mar todos os dias, ter a família sempre presente. Quero ter um bonsai e uma estante cheia de livros e muita musica dos anos 50/60 e rochalhada. Quero beijar um elefante na índia para ter sorte para o resto da vida e claro, abraçar um panda na China. Quero amar...amar muito, amar a vida, amar-te, a família, o que faço e os amigos, amar tudo e só tudo. E acima de tudo ser eu e ter a vida que apenas quero levar.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Desordem Natural das Coisas

Falem-me de vida e destino. Agora.

Não entendo. Para mim o destino...é um conjunto de caminhos que nos é exposto e cabe-nos a nós decidir qual o percurso a percorrer para chegar a um único final existente. Não, não acredito em coincidências! Logo a vida, para mim, é meramente vida. E não lhe dou importância nenhuma até que chega o "boom". É irónica a maneira de como nos preocupamos com coisas voláteis como a saudade que sentimos de alguém e a ansiedade de voltar a revê-lo e se algo acontece que nos impeça de estar com esse alguém afirmamos que é o destino que nos quer separar ou que a vida é cruel. Ironia pura. Importante deveria ser o pensarmos todos os dias, que um dia vamos sentir falta de alguém para o resto da nossa existência, porque esse alguém, simplesmente, vai "partir" numa viagem sem regresso. Falem-me agora em vida feliz e destino concretizado. Não, não falem. Estou farta de filosofias principescas.
É esta a minha teoria da desordem natural das coisas: ora hoje nos preocupamos com o que é estupidez pura e... passados segundos choramos de luto pois já nada faz sentido, nem sequer o destino ou a vida por onde nos arrastaremos com o sentimento de ter um elemento a menos.

Simples, mas custa.





sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

"Cativa-me"


"...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ... "
Antoine de Saint Exuperry (adaptado)


E é com esta passagem que todo e qualquer ser humano vê a sua vida debruçada sobre a verdadeira realidade que não quer admitir. Eu já admiti e apenas quero uma coisa de toda esta realidade: Ser cativada.